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Quero Ser Tambor
José Craveirinha
Quero Ser Tambor
Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens eu quero ser tambor
e nem rio e nem flor e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia dia e noite só tambor até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens deixa-me ser tambor só tambor!
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EM VEZ DE LÁGRIMAS
EM VEZ DE LÁGRIMAS
Só um choro em seco
põe no vértice da minha dor
o mais intenso
auge do luto.
JOSÉ CRAVEIRINHA (1922-2003)
Nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo, Moçambique).
Autodidata, desempenhou diversas actividades tais como funcionário da Imprensa Nacional de Lourenço Marques, jornalista, futebolista, tendo também colaborado em diversas publicações periódicas, nomeadamente O Brado Africano, Itinerário, Notícias, Mensagem, Notícias do Bloqueio e Caliban.Foi preso pela PIDE, mantendo-se na prisão durante 5 anos. Posteriormente após a independência de Moçambique foi membro da Frelimo e presidiu à Associação Africana.
Recebeu o Prêmio Alexandre Dáskalos, o Prêmio Nacional, em Itália, o Prêmio Lótus, da Associação Afro-Asiática de Escritores e o Prêmio Camões, em 1991. É um dos mais reconhecidos poetas da língua portuguesa e um dos maiores escritores africanos.
Obra: Xibugo, 1964; Cântico a um Dio de Catrane, 1966; Karingana Ua Karingana, 1974;
Cela 1, 1980 e Maria, 1988
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SEGREDOS DA MULHER MOÇAMBICANA - MOÇAMBIQUE e Seus Mistérios
Na África Subsariana, a biodiversidade da natureza constituiu sempre um argumento poderoso e determinante para a sobrevivência e desenvolvimentodos povos, que encontram nesta generosidade a resposta para as mais diversificadas e elementares
necessidades, desde alimentares até curativas, passando pelas estéticas
e rituais.
Os segredos da sua especificação e utilização resultam do conhecimento e experiência popular acumulados ao longo de gerações,transformando-se na melhor herança destes povos. Raízes, tubérculos,ramos, cascas de árvore, folhas,pétalas, frutos silvestres, plantas,entre outras, são o vasto universo de soluções que a mãe-natureza
oferece, e que os africanos superiormente souberam adequar às solicitações do seu dia-a-dia.
E se o valor curativo e alimentar desta biodiversidade prevalecem nas suas preocupações, também o estético cedo se manifestou, particularmente nas mulheres,
que revelam uma grande auto estima com a sua apresentação e sensualidade. A sua pele macia a aveludada provoca no sexo oposto um fascínio incontornável, que deriva dos cuidados que as mulheres têm com a sua pele, a partir do uso do m’siro, um pó de origem natural sem qualquer aditivo à excepção
de água.
A origem do “pó mi lagroso ”
O m’siro, como é conhecido em Moçambique ou n’tunkuti, na província de Nampula, é extraído dos ramos de uma pequena árvore ou arbusto lenhoso e frondoso,com o nome científico de Olax dissitiflora (uma das 10 espécies existentes em África), da família das Olocaceae, que se desenvolve nas florestas ao longo do litoral e mais raramente em zonas ribeirinhas do interior. O pó branco resultante, e que é misturado com água, obtém-se através da fricção do ramo, já despido da sua casca, numa pedra característica a que os pescadores chamam de inchauri,dada a sua origem marítima e cuja localização só eles a conhecem.
Concluído este processo, seguese a sua utilização, espalhando aquela massa pela face ou pelo corpo, de acordo com os costumes, rituais ou alguns segredos inconfessáveis.
Os ritos e as crenças são factores de identidade que enriquecem a cultura moçambicana, e os pós oriundos de outras plantas, para além da Olax dissitiflora, fazem parte deste cardápio tradicional da etnia macua, como o extraído da árvore n’nhenhecure, abundante no litoral e na província de Nampula, particularmente nas regiões de Mossuril (Ilha de Moçambique), Angoche, Sangage e Catamoio, e também da mandioca, pela etnia maconde (makonde), na província do Niassa.Os segredos do m’siro e os recados aos amantes
O m’siro, que não tem nenhum sentido mitológico, é utilizado como perfume, creme e bálsamo tradicional e atribui-se-lhe ainda faculdades terapêuticas, como são exemplos o combate ao surgimento do acne (borbulhas) e ao envelhecimento da pele. É de salientar que grandes marcas de produtos farmacológicos e de beleza ocidentais incluem nos seus cremes essências que derivam daquela espécie botânica, a Olax
dissitiflora.
As máscaras usadas pelas mulheres macuas (makwas), e que envolvem todas as classes
sociais e etárias, nas províncias de Nampula, parte da Zambézia, Niassa e Cabo Delgado, são ricas em simbologias e adequam-se às circunstâncias do quotidiano.
Algumas destas pinturas faciais orientam-se por uma leitura fácil no seio da comunidade local, mas indecifrável a outros olhos, e traduzem o momento do seu uso, como festas, cerimónias matrimoniais, rituais de preparação sexual e outros da
sua cultura, comprometimento, luto familiar, adorno exclusivamente estético, etc.
Mas há outras destas máscaras que vão para além do óbvio e sonegam recados muito par ticulares,só estendíveis entre as partes envolvidas, sendo exemplos disso quando as mulheres pretendem dar a conhecer ao marido o seu período menstrual, ou quando querem comunicar com os seus amantes para lhes transmitirem a sua disponibilidade ante a ausência do cônjuge. Também a morte do amante é manifestado nesta pintura de forma subtil de modo a que o marido não perceba.
De acordo com crenças e costumes, as mulheres do litoral estão proibidas de dormir
com a cara pintada de m’siro, pois acredita-se que poderão ser atacadas por fantasmas e espíritos maus.
Rituais casamenteiros e de iniciação feminina.
As jovens entre os 15 e os 18 anos, quando entram na chamada "segunda menstruação” (adolescência), são preparadas para a vida futura, como o casamento, pelas mulheres da família mais velhas, conhecidas como conselheiras (Anakamo).Neste período de ensinamentos, a jovem tem de manter o corpo pintado com m’siro durante o dia, lavando-se à noite para o remover, e só é autorizada a conviver com crianças entre os 7 e os 14 anos, sendo-lhe vedado o relacionamento com os adultos. O objectivo deste rigoroso cumprimento visa salvaguardar a virgindade da jovem até ao dia do casamento e simultaneamente manter o seu corpo limpo, aveludado e sem borbulhas.
Já na parte final deste período decorre também o ritual para a iniciação sexual, uma cerimónia designada por Ossinkiya, e que tem como propósito explicar os segredos de sedução, onde o m’siro surge como argumento erótico e perfumado: o acto do coito, usando para isso instrumentos fálicos e alguma teatralização, e como tratar e lidar com o marido.
O m’siro convive na cultura moçambicana como aliado estético e curativo, cultor de segredos e ritos, ou seja, como referência incontornável da sua identidade.
A mulher moçambicana é um misto de segredos e sensualidades, cujas pinturas lhes valorizam a profundidade do olhar e lhes emprestam o desejo do efémero feminino.
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texto e fotos / text and photos Paulo Pires Teixeira - Revista de Bordo da LAM Infligh Magazine - INDICO / Série II, N 40, 2009 - Maio/Junho
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MOÇAMBIQUE e Seus Mistérios
FOTOQueridos Companheiros de Missões,
Vários irmãos nos questionam, buscando informações histórias, geográficas e culturais de MOÇAMBIQUE.Atendendo a estes pedidos, decidimos publicar em nosso blog além de informações diretamente ligadas a nossa missão (relatórios missionários e de projetos, cartas de missionários, etc), curiosidades, traços culturais interessantíssimos e um pouco da tragetória de luta, sofrimento e conquistas deste povo maravilhoso que Deus colocou em nossos corações.
Enquanto pesquisava, tanto na internet como em livros e através de entrevistas com irmãos locais, meu desejo de conhecer mais ainda os detalhes extraordinários desta cultura aumentava.A cada passo percebo o quanto é dificil falar de Moçambique como "um todo", considero impossivel. A multiplicidade de etnias gera diferenças gritantes entre dois amigos, vizinhos, colegas de trabalho, enfim, entre nacionais. Mesmo convivendo baseados na mesma lei, tendo o mesmo presidente e língua oficial, os moçambicanos preservam riquezas culturais como: custumes étnicos e condutas tipicamente caracteristicas, línguas tradicionais/materna ("dialetos"), forma de se trajar, pinturas corporais com significação variada a depender da etnia, enfim...
É tanta coisa que não tem como não se encantar.Após mais de 10 anos de convivência em Moçambique, pretendo expor neste espaço "Moçambique & Seus Mistérios", tudo que aprendi deste país que seja possível traduzir em palavras, haveram detalhes que certamente escaparam da minha ótica, não por falta de atenção, mais pelo fato de que teria de ter nascido Moçambicana para que me fosse possivel entender "tim-tim-por-tim-tim" o porque de muita coisa por aqui.Tambem postarei artigos, videos, fotos, documentarios e outros materiais de vários autores com seus devidos créditos, tudo que for útil para facilitar a nossa viagem rumo aos mistérios desta nação.Prometo fielmente que entre palavras soltas compartilharei com os interessados o que há de amor e dor neste país que me marcou.Missionária Thayanne FernandesONDE HÁ DOR E SOFRIMENTO TAMBÉM A BELEZA DE ENCHER OS OLHOSMOÇAMBIQUE É LINDO
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ESBOÇOS - Pr.Itamar Fernandes - SEGUNDA CHANCE
SEGUNDA CHANCE
JOÃO 21:1-17
UM ATO MUITO DIFICIL AO SER HUMANO É O DE RECOMEÇAR.
1 - PEDRO TRAIU A JESUS E VOLTOU A SER QUEM ERA ANTES E FAZER AS COISAS QUE FAZIA ANTES - UM PESCADOR (21:3)
2 - JESUS NUNCA NOS PERDE DE VISTA APESAR DE O TERMOS TRAÍDO - (21:5)
3 - DEVEMOS TER ATENÇÃO A ORIENTAÇÃO DE JESUS PARA O NOSSO RECOMEÇO (21:6)
4 - JESUS ESPERA UM ATO DE INTERESSE DA NOSSA PARTE (21:7)
5 - JESUS FAZ COISAS SIMPLES NA NOSSA VIDA SO PARA MOSTRAR QUE É NOSSO AMIGO (21:9)
- JESUS E PEDRO ESTAVAM JUNTOS E TRISTE COM O QUE ACONTECEU.
- ELES RESOLVERAM SE APROXIMAR UM DO OUTRO SEM FALAR DO ASSUNTO(TRAIÇÃO).
6 - PEDRO FOI RECUPERADO. (21:15-17).
JESUS QUER QUE VOCÊ RECOMEÇE HOJE, AGORA.
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ESBOÇOS - Pr.Itamar Fernandes - Herdeiros de Deus
INTRODUÇÃO
1- SER HERDEIRO É SER FILHO, SER FAMILÍA OU SER ALGUÉM QUE TEM DIREITO A HERDAR OS BENS DE DETERMINADA PESSOA.
2- OS QUE TEEM DIREITO A HERANÇA GOZAM DESSA HERANÇA OU BENS DURANTE TODOS OS DIAS DA SUA VIDA SEM QUE OS SEUS PAIS TENHAM QUE MORRER, NECESSARIAMENTE PARA QUE ESTES USUFRUAM.
3- LC 15.12 – O FILHO PRÓDIGO EXIGIU A HERANÇA ENQUANTO O PAI VIVIA.
a) MUITOS PEDEM ESSE DIREITO DE ESBANJAR A SUA HERANÇA E SAEM DA IGREJA E VÃO GASTAR SUA SAÚDE, SUA INTELIGENTE E ATÉ DINHEIRO COM BEBIDAS. MULHERES E ORGÍAS.
b) OUTROS ESTÃO NA IGREJA MAIS USAM FORA SUA HERANÇA E POR ISSO JÁ ESTÃO DOENTES E CAMINHAM PARA A MORTE A PASSOS LARGOS.
EXEMPLO – GEN 25.32 -ESAÚ
1- QUANDO NOS TORNAMOS HERDEIROS DE DEUS?
a) JOÃO 1.12 - TODOS QUE RECEBEREM A JESUS SÃO FEITOS FILHOS DE DEUS.
b) A ADOÇÃO DE FILHOS DE DEUS ACONTECE NO MOMENTO EM QUE VOCE ABRI A BOCA E O CORAÇÃO E DIZ – EU RECEBO JESUS.
2 – QUAL O PROCESSO, O CERIMONIAL QUE ACONTECE NO MOMENTO DA ADOÇAO?
a) FIL.4.3 - MEU NOME É ESCRITO NO LIVRO DA VIDA ONDE ESTÃO OS NOMES DOS HERÓIS DA FÉ, DOS PROFETAS E SANTOS DISCÍPULOS.
b) I JOÃO 1.9 - TODOS OS MEUS PECADOS SÃO IMEDIATAMENTE PERDOADOS.
c) 2 COR 5.17 - TUDO NA MINHA VIDA SE FAZ NOVO.
d) O MUNDO ESPITIRUAL, PASSA A ME RECONHECER COMO UM NOVO SER.
e) ME JUNTO Á FAMILIA DE DEUS.
3 – QUAL O CONTEÚDO DA MINHA HERANÇA, O QUE EU TENHO MESMO?
a) TENS O ESPÍRITO SANTO QUE O MUNDO NÃO CONHECE E NÃO O PODE RECEBER.
b) MAT. 28.20 - TENS A COMPANHIA DE DEUS TODO TEMPO DE MANEIRAS QUE O DIABO NÃO PODE TOCAR NO QUE É SEU E NEM EM VOCE.
c) JOÃO 14.3 - TENS DIREITO A UMA VIDA ETERNA NO CÉU AO LADO DE JESUS QUANDO MORRERES.
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Odisséia – Pr. Benamor Mascarenhas - SEGUIMOS ASSIM
SEGUIMOS ASSIM – ATOS 4.32Eram 12h00min e estava na base da nossa missão, onde trabalhamos. Quando entrei no carro para pegar boleia (carona) dos meus pastores (Pr. Itamar e Mis. Alda Fernandes) pra ir almoçar, a Mis. Alda a quem a maioria chama de mamã e alguns preferindo passar por baianos e fazendo-lhe recordar da sua terra chamam-na de mainha me deu uma pequena caixa com frutas. Vi no carro outras pequenas porções separadas com algumas frutas já, para outras pessoas.Cheguei a casa, almocei e enquanto desfrutava dos habituais 15 minutos de cesta antes de regressar ao trabalho, pensava e lembrei-me que sempre foi assim.Ela acabava de ser oferecida por um casal de amigos da nossa igreja proprietários de mercearia uma considerável quantidade de frutas que daria pra ela e sua família conservarem e saborearem bem durante alguns dias, mais ela preferiu dividir de forma que desse para que grande parte de nos saboreasse pelo menos uma.Sempre foi assim, sempre que ela ganhou, comprou ganha ou consegue comprar mais, divide com todos. Lembrei-me que na missão ninguém chama seja La o que for de meu. Tudo é nosso. Lembrei-me também de como todos estão à disposição para servir o outro na nossa comunidade independentemente de qual seja o seu cargo ou posição.Não estou querendo dizer que somos a melhor comunidade do mundo, mas que aprendemos e dia após dia os nossos lideres nos dão lições praticas de como os cristãos devem viver.Como dizem os outros:É como nos velhos tempos, é como no tempo de Pedro, Tiago, João, Paulo, é como no tempo dos apóstolos, do primeiro amor, onde os atos expressão o amor que Jesus ensinou.Vivemos nacionais e estrangeiros de forma que os que vêm nos visitar não conseguem enxergar a diferença no tratamento.
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